Blasco Miranda de Ourofino

terça-feira, novembro 07, 2006

Materialismo Dialético e Materialismo Histórico- Josef Stalin

MATERIALISMO DIALÉTICO E MATERIALISMO HISTÓRICO
Josef stalin

O materialismo dialético é a teoria geral do Partido marxista-leninista. O materialismo dialético é assim chamado, porque a sua maneira de considerar os fenômenos da natureza, o seu método de investigação e de conhecimento é dialético e a sua interpretação, a sua concepção dos fenômenos da natureza, a sua teoria é materialista.
O materialismo histórico estende os princípios do materialismo dialético ao estudo da vida social; aplica estes princípios aos fenômenos da vida, social, ao estudo da história da sociedade.
Ao definir o seu método dialético, Marx e Engels se referem habitualmente a Hegel, como o filósofo que enunciou as características fundamentais da dialética. Contudo, isso não significa que a dialética de Marx e Engels seja idêntica à de Hegel, pois Marx e Engels só tomaram da dialética de Hegel, o seu "núcleo racional"; rejeitaram dela a sua parte idealista e desenvolveram a dialética, imprimindo-lhe um caráter científico moderno.
O meu método dialético, diz Marx, não só difere na sua base do método hegeliano mas é mesmo exatamente oposto. Para Hegel, o movimento do pensamento. que ele personifica sob o nome de Idéia. é o criador da realidade, a qual não é senão a forma fenomenal da Idéia. Para mim. pelo contrário. o movimento do pensamento é a reflexão do movimento real, transportado e transposto para o cérebro do homem. (O Capital).
Ao definir o seu materialismo, Marx e Engels se referem habitualmente a Feuerbach, como o filósofo que reintegrou o materialismo no seu devido lugar. Contudo, isso não significa que o materialismo de Marx e Engels seja 'idêntico ao de Feuerbach. Com efeito, Marx e Engels apenas tomaram, ao materialismo de Feuerbach, o seu "núcleo central"; desenvolveram-no numa teoria filosófica científica do materialismo e rejeitaram dele as sobreposições idealistas, éticas e religiosas. Sabe-se que Feuerbach, apesar de ser basicamente materialista, se ergueu contra a denominação de materialismo. Engels disse, várias vezes, que Feuerbach "continua, apesar da sua base" (materialista) "prisioneiro dos entraves idealistas tradicionais", que o "verdadeiro idealismo de Feuerbach aparece logo. que chegamos à sua filosofia da religião e à sua ética". (Friedrich Engels: Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã).
Dialética vem da palavra grega "dialektiké" que significa conversar, debater. Na antiguidade entendia-se por dialética a arte de chegar à verdade, descobrindo e superando as contradições contidas no raciocínio do adversário. Certos filósofos da antiguidade pensavam que a descoberta das contradições no pensamento e o choque das opiniões contrárias eram o melhor meio de descobrir a verdade. Este modo dialético de pensamento, estendido a seguir aos fenômenos da natureza, tor­nou-se o método dialético do conhecimento da natureza; segundo este método, os fenômenos da natureza estão eternamente em movimento e em transformação e o desenvolvimento da natureza é o resultado do desenvolvimento das contradições da natureza, o resultado da ação recíproca das forças contrárias da natureza. Pela sua essência, a dialética completamente oposta à metafísica.
1º - O método dialético marxista é caracterizado pelos seguintes traços fundamentais:
a) Ao contrário da metafísica, a dialética olha a natureza não como uma acumulação acidental de objetos, de fenômenos separados uns dos outros, isolados e independentes uns dos outros, mas como um todo unido, coerente, em que os objetos, os fenômenos, estão ligados organicamente entre eles, dependem um dos outros e condicio­nam-se reciprocamente.
É por esta razão, que o método dialético considera que nenhum fenômeno da natureza pode ser compreendido se for considerado isoladamente, fora dos fenômenos que o rodeiam; pois qualquer fenômeno, em qualquer domínio da natureza; pode ser convertido numa coisa sem sentido, se for considerado fora das condições que o rodeiam, se for separado destas condições; pelo contrário, qualquer fenômeno pode ser compreendido e justificado, se for considerado sob o ângulo da sua ligação indissolúvel com os fenômenos que o rodeiam, se for considerado tal como é condicionado pelos fenômenos que o cercam.
b) Ao contrário da metafísica, a dialética olha a natureza, não como um estado de repouso e de imobilidade, de estagnação e de imutabilidade, mas como um estado de movimento e transformação perpétuos, de renovação e desenvolvimento incessantes, em que sempre nasce e desenvolve-se qualquer coisa, desagrega-se e desaparece qual­. quer coisa.
É por esta razão que o método dialético exige que os fenômenos sejam considerados não só do ponto de vista das suas relações e condicionamentos recíprocos, mas também do ponto de vista do seu movimento, da sua transformação, do seu desenvolvimento, do ponto de vista do seu aparecimento e do seu desaparecimento.
Para o método dialético, o que importa, antes de mais, não é. o que parece estável num dado momento, mas o que começa já a decair; o que importa, antes de tudo, é o que nasce e se desenvolve mesmo se, num dado momento, a coisa parece instável, pois segundo o método dialético, nada é menos vulnerável do que aquilo que nasce e se desenvolve.
Toda a natureza, diz Engels, das partículas mais Ínfimas aos corpos maiores, do grão de areia ao Sol, do protiste (célu­va primitiva) ao homem, está empenhada num processo eterno de aparecimento e de desaparecimento, num fluxo incessante, num movimento e numa transformação perpétuos, (Dialética da Natureza. F. Engels).
É por esta razão, diz Engels, que a dialética "observa as coisas e o seu reflexo mental principalmente nas suas relações recíprocas, no seu encadeamento, no seu movimento, no seu aparecimento e desaparecimento" (Anti-Dühring. F. Engels).
c) Contrariamente à metafísica, a dialética considera o processo de desenvolvimento, não como um simples processo de crescimento, em que as mudanças qualitativas não têm como resultado mudanças quantitativas, mas como um desenvolvimento que passa das mudanças quantitativas e latentes a mudanças evidentes e radicais, a mudanças qualitativas; em que as mudanças qualitativas não são graduais, mas rápidas, bruscas e se verificam por saltos, de um estado a outro; estas mudanças não são contingentes, mas necessárias; são o resultado da acumulação de mudanças quantitativas insensíveis e graduais.
E por esta razão que o método dialético considera que o processo de desenvolvimento deve ser entendido não como um movimento circular, não como uma simples repetição do caminho percorrido, mas como um movimento progressivo, ascendente, como a passagem do estado qualitativo antigo, a um novo estado qualitativo, como um desenvolvimento que vai do simples ao complexo, do inferior ao superior.
A natureza, diz Engels, é a pedra de toque da dialética e é necessário dizer que as ciências modernas da natureza forneceram, para esta prova, materiais que são extremamente ricos e que aumentam de dia a dia; assim, provaram que a natureza, em última instância, comporta-se dialeticamente e não metafisicamente, que não se move num círculo eternamente idêntico que se repetiria perpetuamente, mas que conhece uma história real. A propósito disto convém, antes de mais, mencionar Darwin que infligiu um rude golpe à concepção metafísica da natureza, ao demonstrar que todo o mundo orgânico, tal como existe hoje, as plantas e os animais e portanto também o homem, é o produto de um processo de desenvolvimento que já dura há milhões de anos. (Ibidem).
Engels mostra que no desenvolvimento dialético, as mudanças quantitativas se convertem em mudanças qualitativas:
Em física... toda a transformação é uma passagem da quantidade à qualidade, o efeito da mudança quantitativa da quantidade de movimento - de qualquer forma - inerente ao corpo ou comunicado ao corpo. Assim, a temperatura da água é, em princípio, indiferente ao seu estado líquido; mas se se aumenta ou diminui a temperatura da água, chega um momento em que o seu estado de coesão se modifica e a água se transforma em vapor e em gelo respectivamente... É assim que é necessária uma corrente de uma certa intensidade para tornar luminoso um fio de platina; é assim que qualquer metal tem a sua temperatura de fusão; é assim que qualquer líquido, a uma dada pressão, tem o seu ponto determinado de congelação e de ebulição, na medida em que os nossos meios nos permitam obter as temperaturas necessárias; enfim, é assim que, para cada gás, ha um ponto crítico no qual se pode transformar em líquido, em determinadas condições de pressão e arrefecimento... As constantes, como se diz em física (pontos de passagem de um estado a outro), não são, na maior parte dos casos, mais do que pontos nodais em que a adição ou subtração de movimento (mudança quantitativa) prova uma mudança qualitativa num corpo, em que, por conseqüência, a quantidade se transforma em qualidade. (Dialética da Natureza).
E a propósito da química:
Pode-se dizer que a química é a ciência das transformações qualitativas dos corpos, devidas a transformações quantitativas. O próprio Hegel já o sabia. Tomemos o oxigênio: se se reúnem numa molécula três átomos em lugar de dois, como normalmente, obtém-se um corpo novo, o azono, que se distingue nitidamente do oxigênio ordinário, pelo seu cheiro e pelas suas reações. E que dizer das diferentes combinações do oxigênio com o azoto ou com o enxofre, de onde, de cada uma delas, resulta um corpo qualitativamente diferente de todos os outros? (Ibidem)
Enfim, Engels critica Dühring que censura Hegel atribuindo-lhe subrepticiamente a sua célebre tese, segundo a qual a passagem do reino do mundo insensível ao da sensação, do reino do mundo inorgânico ao da vida orgânica, é um salto para um novo estado:
É com efeito a linha nodal hegeliana das relações de medida, em que uma adição ou uma subtração puramente quantitativas produzem em certos pontos nodais. um salto qualitativo. como é o caso, por exemplo, da água aquecida ou arrefecida, para a qual o ponto de ebulição e o ponto de con­gelação são os nós em que se verifica, à pressão normal, o salto para um novo estado de agregação; em que, por conseqüência, a quantidade se transforma em qualidade. (Anti­Dühring).
d) Ao contrário da metafísica, a dialética parte do princípio que os objetos e os fenômenos da natureza encerram contradições internas, pois todos eles têm um lado negativo e um lado positivo, um passado e um futuro, todos eles têm elementos que desaparecem ou que se desenvolvem; a luta destes contrários, a luta entre o velho e o novo, entre o que morre e o que nasce, entre o que se desagrega e o que se desenvolve, é o conteúdo interno do processo de desenvolvimento da conversão das mudanças quantitativas em mudanças qualitativas.
É por esta razão que o método dialético considera que o processo de desenvolvimento do inferior ao superior não se efetua no plano de uma evolução harmoniosa dos fenômenos, mas no de evidência das contradições inerentes aos objetos, aos fenômenos, no plano de uma "luta" das tendências contrárias que se operam na base destas contradições.
A dialética, no verdadeiro sentido da palavra, é, diz Lenin, o estudo das contradições na própria essência das coisas. (Lenin: Cadernos de filosofia).
E mais adiante:
O desenvolvimento é a "luta" dos contrários. (Lenin: Questões da dialética)
São estes, em resumo, os traços fundamentais do método dialético marxista.
Não é difícil compreender qual a considerável importância que toma a extensão dos princípios do método dialético ao estudo da vida social, ao estudo da história da sociedade, qual a considerável importância que toma a aplicação destes princípios à história da sociedade, à atividade prática do partido do proletariado.
Se é verdade que não há, no mundo, fenômenos isolados, se é verdade que todos os fenômenos estão ligados entre si e se condicionam reciprocamente, é claro que qualquer regime social e qualquer movimento social na história devem ser julgados, não do ponto de vista da "justiça eterna" ou de qualquer outra idéia preconcebida, como o fazem freqüentemente os historiadores, mas do ponto de vista das condições que deram origem a este regime e a este movimento e com as quais estão ligados.
O regime de escravatura, nas condições atuais, seria um contra-senso, um absurdo contra a natureza. Mas o regime de escravatura nas condições do regime da comunidade primitiva em decomposição é um fenômeno perfeitamente compreensível e lógico, pois significa um passo em frente em relação à comunidade primitiva.
Reivindicar a instituição da república democrática burguesa nas condições do czarismo e da sociedade burguesa, por exemplo na Rússia de 1905, era perfeitamente compreensível, justo e revolucionário, pois a república burguesa significava, então, um passo em frente. Mas reivindicar a instituição da república democrática burguesa, nas condições atuais da U.R.S.S., seria um contra-senso, seria contra-revolucionário, pois a república burguesa em comparação à república soviética é um passo atrás.
Tudo depende das condições, do lugar e da época.
É evidente que sem esta concepção histórica dos fenômenos sociais, a existência e o desenvolvimento da ciência histórica são impossíveis; só uma tal concepção evita que a ciência histórica se torne um caos de contingências e um montão de erros absurdos.
Prossigamos. Se é verdade que o mundo se move e se desenvolve perpetuamente, se é verdade que o desaparecimento do velho e o nascimento do novo constituem uma lei do desenvolvimento, é claro que não há regimes sociais “imutáveis”, “princípios eternos” de propriedade privada e de exploração; que não há "idéias eternas" de submissão dos camponeses aos grandes latifundiários, dos operários aos capitalistas.
Por conseqüência, o regime capitalista pode ser substituído pelo regime socialista, do mesmo modo que o regime capitalista substituiu na devida altura, o regime feudal.
Conseqüentemente, é preciso basear a ação, não nas camadas sociais que não se desenvolvem mais, mesmo que representem no momento a força dominante, mas nas camadas sociais que se desenvolvem e que têm o futuro, mesmo que não representem no momento a força dominante.
Em 1880-1890, na época da luta dos marxistas contra os populistas, o proletariado da Rússia era uma Ínfima minoria em relação à massa dos camponeses individuais, que formava a imensa maioria da população. Mas o proletariado desenvolvia-se enquanto classe, ao passo que o campesinato desagregava-se enquanto classe. E foi justamente porque o proletariado se desenvolvia como classe, que os marxistas basearam nele a sua ação. No que não se enganaram, pois sabe-se que o proletariado, que era uma força pouco importante, se tornou a seguir uma força histórica e política de primeira ordem.
Assim, para não nos enganarmos em política, é necessário olhar para a frente e não para trás.
Prossigamos. Se é verdade que a passagem das mudanças quantitativas lentas a mudanças qualitativas bruscas e rápidas é uma lei do desenvolvimento, é claro que as revoluções realizadas pelas classes oprimidas constituem um fenômeno absolutamente natural, inevitável.
Conseqüentemente, a passagem do capitalismo ao socialismo e a libertação da classe operária do jugo capitalista podem ser efetuadas, não por transformações lentas, não por reformas, mas somente por uma mudança qualitativa do regime capitalista, pela revolução.
Assim, para não nos enganarmos em política, é preciso sermos revolucionários e não reformistas.
Prossigamos. Se é verdade que o desenvolvimento se faz pelo aparecimento das contradições internas, pelo conflito das forças contrárias, na base destas contradições, conflito destinado a ultrapassá-las, é claro que a luta de classes do proletariado é um fenômeno perfeitamente natural, inevitável.
Assim, não devem ocultar-se as contradições do regime capitalista, mas fazê-las aparecer e expô-las, não abafar a luta de classes, mas levá-la até ao fim.
Portanto, para não nos enganarmos em política, é preciso seguir uma política proletária de classe, intransigente, e não uma política reformista de harmonia com os interesses do proletariado e da burguesia, não uma política conciliadora de "integração" do capitalismo no socialismo.
Eis o que é o método dialético marxista aplicado à vida social, à história da sociedade.
2º - O materialismo filosófico marxista é caracterizado pelos seguintes traços fundamentais:
a) Ao contrário do idealismo, que considera o mundo como a encarnação da "idéia absoluta", do "espírito universal", da "consciência", o materialismo filosófico de Marx parte do princípio de que o mundo, pela sua natureza, é material. que os múltiplos fenômenos do universo são os diferentes aspectos da matéria em movimento; que as. ralações e o condicionamento recíprocos dos fenômenos, estabelecidos pelo método dialético constituem as leis necessárias ao desenvolvimento da matéria em movimento; que o mundo se desenvolve segundo as leis do movimento da matéria e não tem necessidade de qualquer "espírito universal".
A concepção materialista do mundo diz Engels, significa simplesmente a concepção da natureza, tal como ela é e sem nenhuma adição estranha.
A propósito da concepção materialista do filósofo da antiguidade Heráclito, para quem "o mundo é uno, não foi criado por nenhum deus nem por nenhum homem, foi, é e será uma chama eternamente viva, que se acende e extingue segundo leis determinadas", escreve Lenin: "Excelente exposição dos princípios do materialismo dialético" (Lenin: Cadernos de, filosofia).
b) Ao contrário do idealismo, para quem só a nossa consciência existe realmente, para quem o mundo material, o ser, a natureza, só existe na nossa consciência, nas nossas sensações, reapresentações, conceitos, o materialismo filosófico marxista parte do princípio que a matéria, a natureza, o ser, é uma realidade objetiva existindo fora e independentemente da. consciência; que a matéria é um fato primordial; pois é a origem das sensações, das representações, da consciência, enquanto a consciência é um dado secundário, derivado, pois é o reflexo da matéria, o reflexo do ser; que o pensamento é um produto da matéria, quando esta atingiu, no seu desenvolvimento, um alto grau de perfeição; mais precisamente, o pensamento é o produto do cérebro e o cérebro é o órgão do pensamento; não se poderia, portanto, separar o pensamento da matéria sob pena de cair num erro grosseiro.
A questão da relação do pensamento ao ser, do espírito à natureza, diz Engels, é a questão suprema de toda a filosofia... Os filósofos dividiam-se em dois campos importantes, segundo a resposta que davam a esta questão. Os que afirmavam a anterioridade do espírito em relação à natureza... formavam o campo do idealismo. Os outros, os que confederavam a natureza como anterior, pertenciam às diferentes escolas do materialismo. (Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã).
E mais adiante:
O mundo material, perceptível pelos sentidos, ao qual nós próprios pertencemos, é a única realidade... A nossa consciência e o nosso pensamento, por mais transcendentes que pareçam não são mais do que um produto de um órgão material, corporal, o cérebro. A matéria não é um produto do espírito, mas o próprio espírito, não é senão o produto superior da matéria, (Ibidem).
A propósito do problema da matéria e do pensamento, escreve Marx:
Não se poderia separar o pensamento da matéria pensante. Esta matéria é o substrato de todas as transformações que se operam. ( A Sagrada Família).
Na sua definição do materialismo filosófico marxista, Lenin exprime-se nestes termos:
O materialismo aceita, de um modo geral, que o ser real objetivo (a matéria) é independente da consciência, das sensações, da experiência A consciência... não é senão o reflexo do ser, no melhor dos casos um reflexo aproximadamente exato (completo, de uma precisão ideal). (material!.. mo e Empiriocriticismo).
E mais adiante:
A matéria é o que, atuando sobre os nossos órgãos dos sentidos, produz as sensações; a matéria é uma realidade objetiva que nos é dada nas sensações... A matéria, a natureza, o ser, o físico, é o primeiro dado, enquanto o espírito, a consciência, as sensações, são o segundo dado. (Ibidem).
O quadro do mundo é um quadro que mostra que a matéria se move e como a "matéria pensa". (Ibidem).
O cérebro é órgão do pensamento. (Ibidem).
c) Ao contrário do idealismo, que contesta a possibilidade de conhecer o mundo e as suas leis; que não crê no valor dos nossos conhecimentos; que não reconhece a verdade objetiva e considera que o mundo está cheio de "coisas em si" que jamais poderão ser conhecidas da ciência, o materialismo filosófico marxista parte do princípio de que o mundo e as suas leis são perfeitamente conhecíveis, de que o nosso conhecimento das leis da natureza, verificado pela experiência, pela prática, é um conhecimento válido, que tem o significado de uma verdade objetiva; de que não há, de forma alguma, no mundo, coisas que não podem ser conhecidas, mas unicamente coisas ainda desconhecidas, as quais serão descobertas e conhecidas pela ciência e pela prática.
Engels critica a tese de Kant e dos outros idealistas, segundo a qual o mundo e as "coisas em si" não se podem conhecer e defende a tese materialista bem conhecida, segundo a qual os nossos conhecimentos são válidos. Escreve a este respeito:
A refutação mais contundente deste capricho filosófico, como aliás de todos os outros, é a prática, principalmente a experiência e a indústria. Se podemos provar a justeza da nossa concepção de um fenômeno natural criando-o nós próprios, fazendo-o surgir do seu próprio meio, e se, além disso, o colocamos ao serviço dos nossos objetivos, acaba-se a incompreensível "coisa em si" de Kant. As substâncias químicas produzidas nos organismos vegetais e animais conside­ram-se "coisas em si" até ao momento em que a química orgânica os começou a preparar um após outro; por isso, a "coisa em si" tornou-se para nós uma coisa, como por exemplo, a matéria corante da ruiva-dos-tinteiros, a alizarina, que já não extraímos das raízes da ruiva-dos-tinteiros, cultivada nos campos, mas que tiramos, mais econômica e simplesmente, do alcatrão da hulha. O sistema solar de Copérnico foi, durante trezentos anos, uma hipótese em que se poderia apostar cem, mil, dois mil contra um - apesar de tudo, era uma hipótese; mas quando Leverrier, com o auxílio dos números obtidos graças a este sistema, calculou não só a neces­sidade da existência de um planeta desconhecido, mas tam­bém a localização deste no espaço celeste, e quando Galle o descobriu a seguir, o sistema de Copérnico foi verificado. (Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã).
Lenin acusa de fideÍsmo Bogdanov, Bazarov, Iouchkévitch e outros partidários de Mach; defende a tese materialista bem conhecida, segundo a qual os nossos conhecimentos científicos das leis da natureza são válidos e as leis científicas são ver­dades objetivas; diz acerca disto:
O fideísmo contemporâneo nunca repudia a ciência; só repudia as "pretensões excessivas", por exemplo, a preten­são de descobrir a verdade objetiva. Se existe uma verdade objetiva (como pensam os materialistas), se as ciências da natureza ao refletirem o mundo exterior na "experiência" humana, são as únicas capazes de nos darem a verdade obje­tiva, qualquer fideÍsmo deve ser absolutamente rejeitado. (Materialismo e Empiriocriticismo).
Tais são, em resumo, as características distin­tivas do materialismo filosófico marxista.
Concebe-se facilmente a importância consi­derável que toma a extensão dos princípios do materialismo filosófico ao estudo da vida social, ao estudo da história da sociedade; compreende-se a importância considerável da aplicação destes prin­cípios à história da sociedade, à atividade prática do pàrtido do proletariado.
Se é verdade que a ligação dos fenômenos da natureza e o seu condicionamento recíproco são leis necessárias ao desenvolvimento da natureza, resulta que a ligação e o condicionamento recípro­co dos fenômenos da vida social, também eles, não são contingências, mas leis necessárias ao desen­volvimento social.
Consequentemente, a vida social, a história da sociedade deixa de ser uma acumulação de "con­tingências", pois a história da sociedade torna-se um desenvolvimento necessário da sociedade e o estudo da história social passa a constituir uma ciência.
Deste modo, a atividade prática do partido do proletariado deve ser baseada, não nos desejos louváveis das "individualidades de elite", nas exi­gências da "razão", da "moral universal", etc., mas nas leis do desenvolvimento social, no estudo destas leis.
Prossigamos. Se é verdade que o mundo é conhecível e que o nosso conhecimento das leis do desenvolvimento da natureza é um conhecimento válido que tem o significado de uma verdade obje­tiva, resulta que a vida social, que o desenvolvi­mento social é igualmente conhecível e que os dados da ciência acerca destas leis do desenvolvi­mento social, são dados válidos que têm o signifi­cado de verdades objetivas.
Assim, a ciência da história da sociedade, ape­sar de toda a complexidade dos fenômenos da vida social, pode tornar-se uma ciência tão exata como, por exemplo, a biologia, e capaz de fazer servir as leis do desenvolvimento social às aplicações práti­cas.
Portanto, o partido do proletariado, na sua atividade prática, não deve inspirar-se em qual­quer motivo fortuito, mas nas leis do desenvolvi­mento social e nas conclusões práticas que resul­tam destas leis.
Por isso, o socialismo, que outrora era o sonho de um futuro melhor para a humanidade, tornou-se uma ciência.
Então, a ligação entre a ciência e a atividade prática, entre a teoria e a prática, a sua unidade, deve tornar-se a estrela condutora do partido do proletariado.
Prossigamos. Se é verdade que a natureza, o ser, o mundo material são o primeiro dado, enquanto a consciência, o pensamento são o segundo dado, derivado do primeiro; se é verdade que o mundo material é uma realidade objetiva, que existe independentemente da consciência dos homens, enquanto a consciência é um reflexo des­ta realidade objetiva, resulta daí que a vida mate­rial da sociedade, o seu ser, é igualmente o primei­ro dado, enquanto a vida espiritual é um segundo dado, igualmente derivado do primeiro; que a vida material da sociedade é uma realidade objetiva, que existe independentemente da vontade do homem, enquanto a vida espiritual da sociedade é um reflexo desta realidade objetiva, um reflexo do ser.
Portanto, é necessário procurar a fonte da vida espiritual da sociedade, a origem das idéias sociais, das teorias sociais, das opiniões políticas, das instituições políticas, não nas próprias idéias, teorias, opiniões e instituições políticas, mas sim nas condições da vida material da sociedade, no ser social, cujas idéias, teorias, opiniões, etc., são o reflexo.
Por conseqüência, se nos diferentes períodos da história da sociedade se observam diferentes idéias e teorias sociais, diferentes opiniões e insti­tuições políticas, se encontramos no regime de escravatura tais idéias e teorias sociais, tais opi­niões e instituições políticas, enquanto no feudalis­mo encontramos outras, e no capitalismo ainda outras, isso se explica não pela "natureza", nem pelas "propriedades" das próprias idéias, teorias, opiniões e instituições políticas, mas pelas diversas condições da vida material da sociedade, nos dife­rentes períodos do desenvolvimento social.
O ser da sociedade, as condições da vida material da sociedade, eis o que determina as suas idéias, as suas teorias, as suas opiniões políticas, as suas instituições políticas.
A este respeito, escreveu Marx:
Não é a consciência dos homens que determina a sua existência. É, pelo contrário, a sua experiência social que determina a sua consciência. (Contribuição para a crítica da economia política. prefácio).
Assim, para não se enganar em política, para não se entregar a sonhos vazios, o partido do proletariado deve basear a sua ação, não nos abs­tratos "princípios da razão humana", mas nas con­dições concretas da vida material da sociedade, força decisiva do desenvolvimento social; não nos desejos louváveis dos "grandes homens", mas nas necessidades reais do desenvolvimento da vida material da sociedade.
A fraqueza dos utópicos, compreendendo os populistas, os anarquistas, os socialistas-revolucio­nários, explica-se, entre outras coisas, pelo fato de não reconhecerem o papel primordial das condi­ções da vida material da sociedade, no desenvolvi­mento da própria sociedade; caídos no idealismo, baseavam a sua atividade prática, não nas necessi­dades do desenvolvimento da vida material da sociedade, mas, independente e a despeito destas necessidades, nos "planos ideais" e "projetos uni­versais" desligados da vida real da sociedade.
O que dá a força e a vitalidade ao marxismo­leninismo é o fato de ele se apoiar, na sua atividade prática, precisamente nas necessidades do desen­volvimento da vida material da sociedade, sem jamais se desligar da vida real desta.
Do que disse Marx, não resulta, contudo, que as idéias e as teorias sociais, as opiniões e as insti­tuições políticas não tenham influência na vida social; que não exerçam uma ação sobre a existên­cia social, sobre o desenvolvimento das condições materiais da vida social. Até aqui falamos apenas da origem das idéias e das teorias sociais, das opi­niões e das instituições políticas, do seu apareci­mento; dissemos que a vida espiritual da sociedade é um reflexo das condições da sua vida material. Mas a importância destas idéias e teorias sociais, destas opiniões e instituições políticas, do seu papel na historia, o materialismo histórico, longe de negá-los, sublinha, pelo contrário, o seu papel e a sua importância consideráveis na vida social, na história da sociedade.
As idéias e as teorias sociais diferem. Há velhas idéias e teorias, que tiveram o seu lugar na devida altura e que hoje servem os interesses das forças decadentes da sociedade. A importância que têm, é a de deter o desenvolvimento da socie­dade, o seu progresso. Há idéias e teorias novas, devanguarda, que servem os interesses das forças de vanguarda da sociedade. A sua importância resulta do fato de elas facilitarem o desenvolvimento da sociedade, o seu progresso; e, mais ainda, adqui­rem tanto mais importância quanto refletem mais fielmente as necessidades do desenvolvimento da vida material da sociedade.
As novas idéias e teorias sociais só surgiram quando o desenvolvimento da vida material da sociedade colocou, diante desta, novas tarefas. Mas, uma vez surgidas, tornam-se uma força da maior importância que facilita a execução das novas tarefas, postas pelo desenvolvimento da vida material da sociedade; facilitam o progresso da sociedade. É então que aparece toda a importân­cia do papel organizador, mobilizador e transfor­mador das ideias e teorias novas, das opiniões e instituições políticas novas. Na verdade, se surgem novas idéias e teorias sociais, é precisamente por­que são necessárias à sociedade, porque sem a sua ação organizadora, mobilizadora e transformado­ra, é impossível a solução dos problemas prementes que acarreta o desenvolvimento da vida material da sociedade. Suscitadas pelas novas tarefas, postas pelo desenvolvimento da vida material da sociedade, as idéias e teorias sociais novas abrem para si um caminho, tornam-se o patrimônio das massas populares q'ue mobilizam e organizam con­tra as forças retrógradas da sociedade, facilitando com isso o derrube destas forças que impedem o desenvolvimento da vida material da sociedade.
É assim que, suscitadas pelas tarefas primor­diais do desenvolvimento da vida material da sociedade, do desenvolvimento da existência social, as próprias idéias e teorias sociais, as insti­tuições políticas, influenciam, a seguir, a existên­cia social, a vida material da sociedade, ao criar as condições necessárias para solucionar os proble­mas prementes da vida material da sociedade e tornar possível o seu desenvolvimento posterior.
Marx disse acerca disto:
A teoria adquire uma força material logo que penetra nas massas. (Crítica da Filosofia do Direito de Hegel).
Por consequência, para tera possibilidade de influenciar as condições da vida material da socie­dade e para acelerar o seu desenvolvimento, o seu melhoramento, o partido do proletariado deve apoiar-se numa teoria social, numa idéia social que traduza completamente as necessidades do desen­volvimento da vida material da sociedade e seja capaz, portanto, de pôr em movimento as grandes massas populares, capaz de as mobilizar e de as organizar no grande exército do partido do prole­tariado, pronto para varrer as forças reacionárias e abrir o caminho às forças avançadas da socieda­de...
A fraqueza dos "economistas" e dos menche­viques 'Se explica entre outras coisas, pelo fato de que não reconheciam o papel mobilizador, organi­zador e transformador da teoria de vanguarda, da ideia da vanguarda; caídos no materialismo vulgar, reduziam quase a zero este papel; é por isso que condenavam o partido a permanecer passivo, a vegetar.­
O que dá a força e a vitalidade ao marxismo­leninismo é o fato de ele se apo.iar numa teoria de vanguarda, que reflete perfeitamente as necessida­des do desenvolvimento da vida material da socie­dade, de colocar a teoria no lugar elevado que lhe cabe, e considerar como seu dever a utilização completa da sua força mobilizadora, organizadora e transformadora.
É assim que o materialismo histórico resolve o problema das relações entre o ser social e a cons­ciência social, entre as condições do desenvolvi­mento da vida material e o desenvolvimento da vida espiritual da sociedade.
3º - O materialismo histórico. Falta esclarecer uma questão: o que devemos entender, do ponto de vista do materialismo histórico, por estas "con­dições da vida material da sociedade", que deter­minam em última análise, a fisionomia da socieda­de, as suas ideias, as suas opiniões, as suas institui­ções políticas, etc?
O que são estas "condições de vida material da sociedade"? Quais são os seus traços caracterís­ticos?
É certo que a noção de "condições da vida material da sociedade" compreende, antes de mais nada, a natureza que rodeia a sociedade, o meio geográfico que é uma das condições necessárias e permanentes da vida material da sociedade e que, evidentemente, influencia o desenvolvimento da sociedade. Qual é o papel do meio geográfico no desenvolvimento social? Não será o meio geográfico a força principal que determina a fisionomia da sociedade, o caráter do regime social dos homens, a passagem de um regime a outro?­ A esta pergunta, o materialismo histórico res­ponde negativamente.
O meio geográfico é incontestavelmente uma das condições permanentes e necessárias do desenvolvimento da sociedade e é evidente que influencia este desenvolvimento: acelera ou retar­da o curso do desenvolvimento social. Mas esta influência não é determinante, pois as transforma­ções e o desenvolvimento da sociedade se realizam incomparavelmente mais depressa do que as trans­formações e o desenvolvimento do meio geográfi­co. Em três mil anos, a Europa viu sucederem-se três regimes sociais diferentes: a comuna primiti­va, a escravatura, o regime feudal; e no Leste da Europa, no território da U.R.S.S., houve mesmo quatro. Ora, no mesmo período, as condições geo­gráficas da Europa, ou não mudaram em nada, ou mudaram em tão pouco que os geógrafos se abs­têm de falar disso. E isto é aceito assim. Para que se produzam transformações, por pequenas que sejam, no meio geográfico, são necessários milhões de anos, enquanto bastam algumas cente­nas de anos ou cerca de dois mil anos para que se verifiquem transformações muito importantes no regime social dos homens.
Por aqui se vê que o meio geográfico não pode ser a causa principal, a causa determinante do desenvolvimento social, pois o que permanece quase imutável durante dezenas de milhares de anos, não pode ser a causa principal do desenvolvi­mento daquilo que está sujeito a mudanças radi­cais no espaço de algumas centenas de anos.
É certo, em seguida, que também o cresci­mento e a densidade da população, fazem parte da noção de "condições da vida material da socieda­de", pois os homens são um elemento indispensá­vel das condições da vida material da sociedade, e sem um mínimo de homens não se poderia conce­ber nenhuma vida material da sociedade. Não serúo crescimento da população a força principal que determina o carácter do regime social dos homens?
A esta pergunta, o materialismo histórico res­ponde também negativamente.
Com certeza, que o crescimento da população exerce influência sobre o desenvolvimento social, facilita-o ou atrasa-o; mas não pode ser a força principal do desenvolvimento social e a influência que exerce sobre este não pode ser determinante, pois o crescimento da população, por si só, não nos dá a chave deste problema: por que é que a tal regime social sucede precisamente tal regime social novo, e não outro? Por que é que à comuna primitiva sucede precisamente a escravatura? A escravatura, o regime feudal? Ao regime feudal, o regime burguês, e não qualquer outro regime?
Se o crescimento da população fosse a força determinante do desenvolvimento social, uma maior densidade da população deveria necessaria­mente dar origem a um tipo superior do regime social. Mas na realidade, não se verifica isto. A densidade de população na China é quatro vezes mais elevada do que a dos Estados Unidos; contu­do, os Estados Unidos estão a um nível mais eleva­do do que a China do ponto de vista do desenvolvi­mento social: na China existe ainda um regime semi-feudal, enquanto os Estados Unidos atingi­ram, desde há muito tempo, o estado superior do desenvolvimento capitàlista. A densidade da popu­lação, na Bélgica, é dezenove vezes mais elevada que a dos Estados Unidos e vinte e seis vezes mais elevada que a da U.R.S.S.; contudo, os Estados Unidos estão a um nível mais elevado que a Bélgica do ponto de vista do desenvolvimento social; e em relação à U.R.S.S., a Bélgica está atrasada de toda uma época histórica: na Bélgica domina o regime capitalista, enquanto a U.R.S.S. já acabou com o capitalismo; instituiu o regime socialista.
Resulta daí, que o crescimento da população não é, e não pode ser, a força principal do desenvolvimento da sociedade, a força que determina o caráter do regime social, a fisionomia da socieda­de.
a) Mas então qual é pois, no sistema das con­dições da vida material da sociedade, a força prin­cipal que determina a fisionomia da sociedade, o caráter do regime social, o desenvolvimento da sociedade de um regime para outro?
O materialismo histórico considera que esta força é o modo de obtenção dos meios de existência necessários à vida dos homens, o modo de produção dos bens materiais: alimentos, vestuário, calçado, habitação, combustível, instrumentos de produ­ção, etc., necessários para que a sociedade possa viver e desenvolver-se.
Para viver, é preciso dispor de alimentos, ves­tuário, calçado, uma habitação, combustível, etc.; para ter estes bens materiais, é preciso produzi-Ios, e para os produzir, é necessário dispor dos instru­mentos de produção com a ajuda dos quais os homens produzem os alimentos, o vestuário, o calçado, a habitação, o combustível, etc.; é neces­sário produzir estes instrumentos, é preciso nos servirmos deles.
Os instrumentos de produção com a ajuda dos quais são produzidos os bens materiais, os homens que manejam estes instrumentos de produção e produzem os bens materiais, graças a uma certa experiência da produção e aos hábitos de trabalho, eis os elementos que, tomados em conjunto, cons­tituem as forças produtivas da sociedade.
Mas as forças produtivas não são senão um aspecto da produção, um aspecto do modo de pro­dução, aquele que exprime o comportamento dos homens em relação aos objetos e às forças da natu­reza de que eles se servem para produzirem os bens materiais. O outro aspecto da produção, o outro aspecto do modo de produção, são as rela­ções entre os homens no processo da produção, as relações de produção existentes entre os homens. Na sua luta com a natureza, que eles exploram para produzir os bens materiais, os homens não estão isolados uns dos outros; produzem em comum, em grupos, em associações. É por isso que a produção é sempre, e sejam quais forem as condi­ções, uma produção social. Na produção dos bens materiais, os homens estabelecem entre eles tais ou tais relações de produção. Estas últimas podem ser relações de colaboração e de entre-ajuda entre homens livres de toda e qualquer exploração; podem ser relações de dominação e submissão; podem ser, enfim, relações de transição de urna forma de relações de produção a outra. Mas qual­quer que seja o caráter que revestem as relações de produção, estas são sempre, em qualquer regi­me, um elemento indispensável da produção, assim como as forças produtivas da sociedade.
Na produção, diz Marx, os homens não atuam só sobre a natureza, mas também uns sobre os outros. Só produzem, colaborando de uma maneira determinada e trocando entre eles as suas atividades. Para produzir, entram em determina­das relações uns com os outros, e não é senão nos limites des­tas relações sociais que se estabelece a sua ação sobre a natu­reza, que se realiza a produção.(Trabalho Assalariado e Capi­tal)
Daí resulta que a produção, o modo de produção engloba igualmente as forças produtivas da sociedade, assim como as relações de produção entre os homens, e é assim a encarnação da sua unidade no processo de produção dos bens mate­riais.
b) A primeira particularidade da produção, é a de que nunca se mantém num dado ponto por mui­to tempo; está sempre a transformar-se e a desen­volver-se; além disso, a mudança do modo de pro­dução, provoca inevitavelmente a mudança de todo o regime social, das ideias sociais, das opi­niões e instituições políticas; a mudança do modo de produção provoca a modificação de todo o sis­tema social e político. Nos diferentes graus do desenvolvimento, os homens se servem de diferen­tes meios de produção, ou mais simplesmente, os homens têm um gênero de vida diferente. Na comuna primitiva existe um modo de produção ;na escravatura, existe um outro; no feudalismo, um terceiro. e assim sucessivamente.
Ao modo de produção da sociedade corres­pondem, essencialmente, a própria sociedade, as suas ideias e teorias, as suas opiniões e instituições políticas.
Ou mais simplesmente: tal tipo de vida, tal tipo de pensamento.
Isto quer dizer que a história do desenvolvi­mento da sociedade é, antes de mais, a história do desenvolvimento da produção, a história dos modos de produção que se sucedem ao longo dos séculos, a história do desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção entre os homens.
Assim, a história do desenvolvimento social é, ao mesmo tempo, a história dos produtores dos bens materiais, a história das massas laboriosas que são as forças fundamentais do processo de produção e produzem os bens materiais necessá­rios à existência da sociedade.
Logo, a ciência histórica, se quer ser uma ver­dadeira ciência, não pode reduzir a história do desenvolvimento social, aos. atos dos reis e dos chefes dos exércitos, aos atos dos "conquistado­res" e dos "dominadores" de Estados; a ciência histórica deve, antes de mais, ocupar-se da história dos produtores dos bens materiais, da história das massas laboriosas, da história dos povos.
Portanto, a chave que permite descobrir .as leis da história da sociedade, deve ser procurada não no cérebro dos homens, não nas opiniões e ideias da sociedade, mas no modo de produção praticado pela sociedade, em cada dado período da história, no econômico da sociedade.
Por isso, a tarefa primordial da ciência históri­ca é o estudo e a descoberta das leis da produção, das leis do desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção, das leis do desenvolvi­ mento econômico da sociedade. ­
Deste modo, o partido do proletariado, se quer ser um verdadeiro partido, deve, antes de mais, adquirir a ciência das leis do desenvolvimen­to da produção, das leis do desenvolvimento eco­nômico da sociedade.
Portanto, para não se enganar em política, o partido do proletariado deve, no estabelecimento do seu programa, assim como na sua atividade prá­tica, e antes de tudo, inspirar-se nas leis do desenvolvimento da produção, nas leis do desenvolvi­mento econômico da sociedade.
c) A segunda particularidade da produção, é a de que as transformações e o seu desenvolvimento começam sempre pela transformação e pelo desenvolvimento das forças produtivas e, antes de mais nada, pela transformação e desenvolvimento dos instrumentos de produção. As forças produtivas são, por conseqüência, o elemento mais móvel e mais revolucionário da produção. Em primeiro lugar modificam-se e desenvolvem-se as forças produtivas da sociedade; a seguir, em função e em conformidade com estas modificações, modificam-se as relações de produção entre os homens, as suas relações econômicas. Isto não significa, contudo, que as relações de produção não exercem influên­cia no desenvolvimento das forças produtivas, e que estas últimas não dependem das primeiras. As relações de produção, cujo desenvolvimento das forças produtivas, atuam, por sua vez, sobre o desenvolvimento ,das forças produtivas, aceleran­do-as ou retardando-as. Além disso, importa salientar que as relações de produção não pode­riam retardar, por muito tempo, o crescimento das forças produtivas e se manterem em contradição com este desenvolvimento, pois as forças produti­vas só podem desenvolver-se completamente se as relações de produção correspondem, ao caráter, ao estado das forças produtivas e dão livre curso i ao desenvolvimento destas últimas. É por esta razão que, qualquer que seja o atraso das relações de produção em relação ao desenvolvimento das forças produtivas, devem, mais cedo ou mais tar­de, acabar por corresponder - é o que se verifica efetivamente - ao nível do desenvolvimento das forças produtivas, ao caráter destas forças produti­vas. Caso contrário, a unidade das forças produti­vas e das relações de produção, no sistema da pro­dução, seria seriamente comprometida e se daria uma ruptura no conjunto da produção, uma crise da produção, a destruição das forças produtivas.
As crises econômicas nos países capitalistas, ­onde a prosperidade privada capitalista dos meios de produção está em flagrante contradição com o caráter social do processo de produção, com o caráter das forças produtivas, - são um exemplo do desacordo entre as relações de produção e o cará­ter das forças produtivas, um exemplo do conflito que as instiga à luta. As crises econômicas que conduzem à destruição das forças produtivas são o resultado deste desacordo; além disso, este próprio desacordo é a base econômica da revolução social chamada a destruir as relações de produção atuais e a criar novas relações adequadas ao caráter das forças produtivas.
Pelo contrário, a economia socialista na U.R.S.S., onde a propriedade social dos meios de produção está em perfeito acordo com o caráter social do processo de produção, e onde, por conse­guinte, nem há crises econômicas, nem destruição das forças produtivas, é um exemplo do acordo perfeito entre as relações de produção e o caráter das forças produtivas.
Por isso, as forças produtivas n"ão são apenas o elemento mais móvel e mais revolucionário da produção. São também o elemento determinante do desenvolvimento da produção.
Tais são as forças produtivas, tais devem ser as relações de produção.
Se o estado das forças produtivas indica quais os instrumentos de produção com os quais os homens produzem os bens materiais que lhes são necessários, o estado das relações de produção mostra na posse de quem se encontram os meios de produção (a terra, as florestas, a água, o subsolo, as matérias-primas, os instrumentos de produção, as construções de exploração, os meios de trans­porte e de comunicação, etc.); à disposição de quem se encontram os meios de produção, à dispo­sição de toda a sociedade, ou à disposição de determinados indivíduos, de grupos ou de classes que se servem deles para explorar outros indiví­duos, grupos ou classes.
Eis aqui o quadro esquemático do desenvolvi­mento das forças produtivas desde os tempos mais recuados, até aos nossos dias: transição dos utensÍ­lios de pedra aos de metal (machado de ferro, ara­do com relha de ferro, etc) e, a seguir passagem à cultura das plantas, à agricultura); novo aperfeiçoa­mento dos utensílios de metal para trabalhar os materiais, aparecimento da forja a sopro e da olaria e, a seguir, desenvolvimento das profissões manuais, separação destas e da agricultura, desen­volvimento das profissões manuais independentes e depois manufatura; transição dos instrumentos de produção artesanal à máquina e transformação da produção artesanal-manufaturada, em indústria mecanizada; transição do sistema de máquinas e aparecimento da grande indústria mecanizada moderna: tal é o quadro de conjunto, muito incompleto, do desenvolvimento das forças produ­tivas da sociedade ao longo da história da humani­dade. Daqui resulta que o desenvolvimento e aper­feiçoamento dos instrumentos de produção foram realizados pelos homens, que têm uma relação com a produção, e não independentemente dos homens. Assim, ao mesmo tempo que se transfor­mam e desenvolvem os instrumentos de produção, os homens - elemento essencial das forças produ­tivas -, se transformam e desenvolvem igualmen­te; a sua experiência de produção, os seus hábitos de trabalho, a sua capacidade para manejar os ins­trumentos de produção se transformaram e desen­volveram.
Foi de acordo com estas transformações e com este desenvolvimento das forças produtivas da sociedade, ao longo da história, que mudaram e se desenvolveram as relações de produção entre os homens, as suas relações econômicas.
A história conhece cinco tipos fundamentais de relações de produção: a comuna primitiva, a escravatura, o regime feudal, o regime capitalista e o regime socialista.
No regime da comuna primitiva, a proprieda­de coletiva dos meios de produção forma a base das relações de produção, o que corresponde, no essencial, ao caráter das forças produtivas neste período. Os utensíiios de pedra, assim como o arco e as flechas aparecidos mais tarde, não permitiam aos homens lutar isoladamente contra as forças da natureza e os animais de rapina. Para colher os fru­tos nas florestas, para pescar, para construir qual­quer habitação, os homens eram obrigados a tra­balhar em comum se não queriam morrer de fome ou tornarem-se vítimas dos animais ferozes ou de tribos vizinhas. O trabalho em comum conduziu à propriedade comum dos meios de produção e dos produtos. Nesta altura, ainda não se tem a noção da propriedade privada .dos meios de produção, salvo a propriedade individual de alguns instru­mentos de produção, que são simultaneamente armas de defesa contra os animais de rapina. Aqui não há exploração, nem classes.
No regime de escravatura, é a propriedade do dono dos escravos sobre os meios de produção e sobre o trabalhador - o escravo, que ele pode ven­der, comprar, matar como se fosse gado -, que forma a base de relação de produção. Estas rela­ções de produção correspondem, no essencial, ao estado das forças produtivas, neste período. Em lugar dos utensílios de pedra os homens dispõem agora de instrumentos de metal; em lugar de uma economia reduzida a uma caça primitiva e miserá­vel, que ignora a criação de animais e a agricultu­ra, aparece a criação de animais, a agricultura, as profissões manuais, a divisão do trabalho entre estes diferentes ramos da produção; vê-se apare­cer a possibilidade de. troca de produtos entre indi­víduos e grupos, a possibilidade de uma acumula­ção de riquezas nas mãos de um pequeno número de homens, a acumulação real dos meios de produ­ção nas mãos de uma minoria, a possibilidade da minoria submeter a maioria e a transformação dos membros da maioria em escravos. Aqui, já não há trabalho comum e livre de todos os membros da sociedade no processo da produção; aqui, predo­mina o trabalho forçado dos escravos, explorados por patrões ociosos. É por isso que já não há pro­priedade comum dos meios de produção, nem de produtos. Foi substituída pela propriedade priva­da. Aqui, o dono dos escravos é o primeiro e o principal proprietário, o proprietário absoluto.
Ricos e pobres, exploradores e explorados, pessoas que têm todos os direitos e pessoas que não têm direito nenhum, uma dura luta de classes entre uns e outros: tal é o quadro do regime da escravatura.
No regime feudal, é a posse do senhor feudal sobre os meios de produção e a sua posse limitada sobre o trabalhador - o servo que o senhor feudal já não pode matar, mas pode vender e comprar -, que formam a base das relações de produção. A propriedade feudal coexiste com a posse indivi­dual do camponês e do artesão, dos instrumentos de produção e sobre a sua economia privada, baseada no seu trabalho pessoal. Estas relações de produção correspondem, no essencial, ao estado das forças produtivas neste período. Aperfeiçoa­mento da fundição e do tratamento do ferro, emprego generalizado da charrua e do trabalho de tecelagem, desenvolvimento contínuo da agricul­tura da jardinagem, da indústria vinícola, fabrico do azeite, aparecimento das manufaturas ao lado das oficinas de artesões: tais são os traços caracte­rísticos do estado das forças produtivas.
As novas forças produtivas exigem que o tra­balhador dê provas de uma certa iniciativa na pro­dução, de gosto pela obra, de interesse no traba­lho. É por essa razão que o senhor feudal, renun­ciando a um escravo, que não tem interesse no tra­balho, é absolutamente desprovido de iniciativa, prefere tratar com um servo que possui a sua pró­pria exploração, os seus instrumentos de produção e que tem algum interesse no trabalho, interesse indispensável para que cultive a terra e pague da sua recolha, ao senhor feudal, uma renda em pro­dutos agrícolas.
Aqui, a propriedade privada continua a evoluir. A exploração é quase tão dura como na escravatura; apenas está camuflada. A luta de clas­ses entre os exploradores e os explorados é a característica essencial do regime feudal.
No regime capitalista, é a propriedade capita­lista dos meios de produção que forma a base das relações de produção: a posse dos produtores, dos trabalhadores assalariados, já não existe; o capita­lista não pode matá-los nem vendê-tos, pois eles estão libertos de qualquer dependência pessoal; mas estão privados dos meios de produção e, para não morrerem de fome, são forçados a vender a sua força de trabalho ao capitalista e a suportar o jugo da exploração. Ao lado da propriedade capi­talista dos meios de produção, existe, largamente propagada nos primeiros tempos, a propriedade privada do camponês e do artesão libertos da ser­vidão, sobre os meios de produção, propriedade baseada no trabalho pessoal. As oficinas de arte­sãos e as manufaturas deram lugar a enormes fábricas apetrechadas com máquinas. Os domínios dos senhores, que eram cultivados com os instrumentos primitivos dos camponeses, deram lugar a poderosas explorações capitalistas geridas na base da ciência agronômica e providas de máquinas agrícolas.
As novas forças produtivas exigem que os tra­balhadores sejam mais cultos e mais inteligentes do que os servos ignorantes e embrutecidos; que sejam capazes de compreender a máquina e sai­bam manejá-la convenientemente. Também os capitalistas preferem tratar com trabalhadores assalariados, libertos dos entraves da servidão, suficientemente cultos para operar conveniente­mente as máquinas.
Mas para ter desenvolvido as forças produti­vas em proporções gigantescas, o capitalismo gerou contradições insolúveis. Ao produzir quanti­dades cada vez maiores de mercadorias e reduzin­do os preços, o capitalismo acentua a concorrên­cia, arruína os pequenos e médios proprietários, os reduz ao estado de proletários e diminui o seu poder de compra; resulta que se torna impossível o escoamento das mercadorias fabricadas. Ao expandir a produção e agrupar, nas enormes fábri­cas, milhões de operários, o capitalismo dá um caráter social ao processo de produção e com isso mina a sua própria base; pois o caráter social do processo de produção exige a propriedade social dos meios de produção; ora, a propriedade dos meios de produção mantém-se como uma proprie­dade privada, capitalista, incompatível com o caráter social do processo de produção.
São as contradições irreconciliáveis entre o caráter das forças produtivas e as relações de produção que se manifestam nas crises periódicas de super-produção; os capitalistas, na falta de com­pradores solvíveis, por causa da ruína das massas de que eles são os verdadeiros responsáveis, são obrigados a queimar gêneros de consumo, destruir mercadorias já fabricadas, interromper a produ­ção, destruir as forças produtivas, e, apesar disso, milhões de homens estão desempregados e têm fome, não porque faltem mercadorias, mas porque produziram demasiado.
Isso significa, que as relações de produção capitalistas já não correspondem ao estado das for­ças produtivas da sociedade, e entraram em con­tradição insolúvel com estas.
Isso significa que o capitalismo necessita de uma revolução para substituir a atual propriedade capitalista do meios de produção, pela proprieda­de socialista.
Isso significa que a característica essencial do regime capitalista é uma luta de classes, das mais agudas,. entre exploradores e explorados.
No regime socialista que, até este momento, só está estabelecido na U.R.S.S., é a propriedade social dos meios de produção que forma a base das relações de produção. Aqui, já não há explorado­res nem explorados. Os produtos são repartidos mediante o trabalho fornecido por cada um e segundo o princípio: "Quem não trabalha, não come". As relações entre os homens, no processo de produção, são relações de colaboração fraterna e de entre-ajuda socialista dos trabalhadores liber­tos da exploração. As relações de produção estão perfeitamente adequadas ao estado das forças pro­dutivas, pois o caráter social do processo de pro­dução está alicerçado na propriedade social dos meios de produção.
É isto que faz com que a produção socialista na U.R.S.S. ignore as crises periódicas de super­produção e todos os outros absurdos que daí resul­tam.
É isto que faz com que aqui as forças produti­vas se desenvolvam com um ritmo acelerado pois as relações de produção que Ihes são convenientes dão livre curso a este desenvolvimento.
Tal é o quadro do desenvolvimento das rela­ções de produção entre os homens, ao longo da história da humanidade.
Tal é a dependência do desenvolvimento das relações de produção em relação ao desenvolvi­mento das forças produtivas da sociedade, e, antes de mais, em relação ao desenvolvimento dos ins­trumentos de produção, dependência que faz com que as transformações e o desenvolvimento das forças produtivas dem lugar, maIs cedo ou maIs tarde, a uma transformação e a um desenvolvi­mento correspondentes das relações de produção.
o emprego e a criação dos meios de trabalho(Por "meios de trabalho", Marx entende principal­mente os instrumentos de produção. J.Bta/in.) apesar de se encontrarem em embrião em algumas espécies animais, caracterizam eminentemente o trabalho humano. Também Franklin dá esta definição de homem: o homem é um animal que fabrica utensílios (a toolmaking anima/). Os restos dos antigos meios de trabalho têm, para o estudo das formas eco­nômicas da,s sociedades desaparecidas, a mesma importância que a estrutura dos ossos fósseis para o conhecimento da organização das raças extintas. Aquilo que distingue uma época econômica de outra, é menos aquilo que se fabrica, do que como é fabricado... Os meios de trabalho são-a-escala do desenvolvimento do trabalhador, e os expositores das rela­ções sociais, nas quais ele trabalha. (K. Marx: O Capital).
E além disso:
As relações sociais estão intimamente ligadas às forças produtivas. Ao adquirir novas forças produtivas, os homens mudam o seu modo de produção e ao mudar o modo de. pro­dução, a maneira de ganhar a vida, mudam todas as suas relações sociais. A azenha vos dará a sociedade com o suse­rano (o senhor feudal J. Stalin); o moinho a vapor, a socie­dade com o capitalismo industrial.(K. Marx: Miséria da Filo­sofia, resposta à Filosofia da Miséria, de M. Proudhon).
Há um movimento contínuo de crescimento nas forças produtivas, de destruição nas relações sociais, de formação nas idéias; não há nada mais imutável que a abstração do movimento. (Ibidem).
Definindo o materialismo histórico, formulado no Manifesto do Partido Comunista, diz Engels:
...A produção econômica e a estrutura social, que dai resulta necessariamente, formam, em cada época histórica, a base da história poJítica e intelectual dessa época;... por ISSO, (depois da dissolução da primitiva propriedade comum do solo), toda a história foi uma história de luta de classes, de lutas entre classes exploradas e classes exploradoras, entre classes dominadas e classes dominantes, nas diferentes eta­pas do seu desenvolvimento social ;... esta luta atingiu atual­mente uma etapa em que a classe explorada e oprimida (o proletariado) já não pode se libertar da classe que a explora e oprime (a burguesia), sem libertar simultaneamente, e para sempre, toda a sociedade da exploração, da opressão e das lutas de classes... (F. Engels: prefácio à edição alemã de 1883 do Manifesto do Partido Comunista).
d) A terceira particularidade de produção é a de que as novas forças produtivas e as relações de produção que lhes correspondem não aparecem fora do antigo regime e depois do seu desapareci­mento; aparecem no próprio seio do velho regime; não são o efeito de uma àção consciente, premedi­tada pelos homens. Surgem espontâneas e inde­pendentes da vontade dos homens, por duas razões:
Em primeiro lugar, porque os homens não são livres na escolha do modo de produção; cada nova geração, na sua entrada na vida, encontra forças produtivas e relações de produção já esta­belecidas, criadas pelo trabalho das gerações pre­cedentes; também cada nova geração é obrigada a aceitar, de início, tudo o que encontra estabeleci­do no domínio da produção e a adaptar-se para poder produzir bens materiais.
Em segundo lugar, porque ao aperfeiçoar este ou aquele instrumento de produção, este ou aque­le elemento das forças produtIvas, os homens não têm consciência dos resultados sociais, aos quais devem conduzir estes aperfeiçoamentos; não o compreendem e não pensam nisso, não pensam senão nos seus interesses quotidianos, em tornar o seu trabalho mais fácil e em obter uma vantagem imediata e tangível.
Quando alguns membros da comuna primitiva começaram, pouco a pouco, e às apalpadelas, a passar dos utensílios de pedra aos utensílios de ferro, ignoravam evidentemente os resultados sociais a que levaria esta inovação; não pensavam nisso; não tinham consciência, não compreendiam que a adoção dos utensílios de metal significava uma revolução na produção, que essa revolução levaria finalmente ao regime de escravatura. O que eles queriam, era, simplesmente, tornar o trabalho mais fácil e obter uma vantagem imediata e palpá­vel; a sua atividade consciente limitava-se ao qua­dro estreito desta vantagem pessoal, quotidiana.
Quando, no regime feudal, a jovem burguesia da Europa começou a construir, ao lado das pequenas oficinas de artesãos, grandes fábricas, fazendo assim progredir as forças produtivas / da sociedade, ignorava evidentemente as conseqüências sociais que resultariam dessa inovação; não pensava nisso; não tinha consciência, não com­preendia que esta "pequena" inovação levaria a um reagrupamento das forças sociais, que deveria terminar com uma revolução contra o poder real do qual apreciava tanto a benevolência, assim como contra a nobreza na qual muitos dos melho­res representantes desta burguesia sonhavam entrar; o que queria era simplesmente diminuir o custo da produção das mercadorias, lançar. uma maior quantidade de mercadorias nos mercados da Ásia e nos da América, que acabava de ser desco­berta, e conseguir maiores lucros; a sua atividade consciente limitava-se ao quadro estreito destes interesses práticos, quotidianos.
Quando os capitalistas russos, de acordo com os capitalistas estrangeiros, implantaram ativa­mente na Rússia a grande indústria mecanizada moderna, sem tocar no czarismo e lançando os camponeses como repasto aos grandes latifundiá­rios, ignoravam evidentemente as conseqüências sociais que resultariam desse considerável cresci­mento das forças produtivas, não pensavam nisso; não tinham consciência, não compreendiam que este considerável salto das forças produtivas da sociedade daria origem a um reagrupamento das forças sociais, que permitiria ao proletariado se associar ao campesinato e fazer triunfar a revolu­ção capitalista. O que eles queriam, era simples­mente expandir até ao extremo a produção indus­trial, tornarem-se senhores de um imenso mercado interior, monopolizar a produção e extrair, da eco­nomia nacional, o maior lucro possível; a sua ativi­dade consciente não ia além dos seus interesses quotidianos, puramente práticos.
Marx disse a este respeito:
Na produção social da sua existência (isto é, na produção dos bens materiais necessários à vida dos homens. J. Stalin), os homens entram em determinadas relações necessárias, independentes (Sublinhado pelo autor.) da sua vontade; estas relações de produção correspondem a um dado grau de desenvolvimento das suas' forças produtivas materiais. (Prefácio à Contribuição para a Crítica da Economia Política).
Isto não significa, contudo, que a mudança das relações de produção e a passagem das antigas relações de produção às novas, se efetuem uniformemente, sem sacudidelas nem conflitos. Pelo contrário, esta passagem opera-se habitualmente com o derrube revolucionário das antigas relações de produção e com o estabelecimento de novas relações. Até um certo momento, o desenvolvimento das forças produtivas e as transformações, no domínio das relações de produção, efetuam-se espontaneamente, sem depender da vontade dos homens. Mas só assim até um certo momento, até ao momento em que as forças produtivas, que já surgiram e se desenvolvem, estiverem suficientemente maduras. Quando as novas forças produtivas atingem a maturidade, as relações de produção existentes e as classes dominantes que as personificam, transformam-se numa barreira "instransponível", que só pode ser afastada do caminho pela atividade consciente de novas classes, pela ação violenta destas classes, pela revolução. É então que aparece de uma maneira impressionante o papel imenso das novas idéias sociais, das novas instituições políticas, do novo poder político, chamados a suprimir pela força as antigas relações de produção. O conflito entre as novas forças produtivas e as antigas relações de produção, as novas necessidades econômicas da sociedade dão origem a novas idéias sociais; estas novas idéias organizam e mobilizam as massas, estas unem-se a um novo exército político, criam um novo poder revolucionário e servem-se dele para suprimir pela força a antiga ordem de coisas no domínio das relações de produção, para instituir um novo regime.
O processo espontâneo de desenvolvimento dá o lugar à atividade consciente dos homens; o desenvolvimento pacífico, a uma agitação violenta; a evolução, à revolução.
­ O proletariado, diz Marx, na sua luta contra a burguesia. Organiza-se forçosamente em classe... passa. por uma revolução. a classe dominante e. como classe dominante. destrói violentamente o antigo regime de produção (K. Marx e F. Engels: O Manifesto do Partido Comunista).
E mais adiante:
O proletariado se servirá da sua suprema política para arrancar, pouco a pouco, todo o capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado em classe dominante, e para aumentar tão depressa quanto possível a quantidade das forças produtivas. (Ibidem). A força é a parteira de toda a velha sociedade em atividade. (O Capital. livro primeiro).
No histórico prefácio da sua célebre obra Contribuição para a Crítica da Economia Política ( 1859), Marx dá uma definição genial da própria essência do materialismo histórico:
Na produção social da sua existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade; estas relações de produção correspondem a um dado grau de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto destas relações de produção constituía estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e intelectual, em geral. Não é a consciência dos homens que determina a sua existência; é, pelo contrário; a existência social que determina a sua consciência.
Em determinado grau do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que não passa da sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais atuavam até então. De formas de desenvolvimento das forças produtivas que eram, estas relações passam a ser um entrave para estas forças. Então inicia-se uma época de revoluções sociais. A mudança da base econômica transforma, mais ou menos lenta ou rapidamente, toda a formidável superestrutura. Quando se estuda essas transformações, é preciso distinguir sempre a mudança material - constatada com uma precisão própria das ciências naturais - das condições econômicas da produção e as formas jurídicas políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, numa palavra, as formas ideológicas, nas quais os homens concebem este conflito e o combatem. Assim como não se pode julgar um indivíduo pela idéia que ele tem de si próprio, também não se pode julgar uma tal época de transformações pela sua consciência; mas é preciso explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito que opõe as forças produtivas da sociedade e as relações de produção. Uma formação social nunca morre antes de terem se desenvolvido todas as forças produtivas, às quais pode dar livre curso; nunca aparecem novas relações de produção, superiores às antigas, antes de terem morrido as suas condições materiais no seio da velha sociedade. É por esta razão que nunca se põem, à Humanidade, problemas que ela não possa resolver; pois, por pouco que considerem as coisas, se reconhecerá sempre que o problema em si não surge senão quando existem ou pelo menos estão em formação, as condições naturais para a sua solução.
Eis o que ensina o materialismo marxista aplicado à vida social, à história da sociedade.
Tais são as características fundamentais do materialismo dialético e histórico.

O índio está certo

O índio está certo
No dia 14 de fevereiro de 1879, as Forças Armadas do Chile invadiram e ocuparam o porto boliviano de Antofogasta, no Pacífico, porque a Bolívia havia criado um royalty de 10 centavos sobre a exportação de um quintal (100 quilos) do salitre boliviano, explorados pela Companhia de Salitre e Trens de Antofogasta, que pertencia à Inglaterra e ao Chile.
Começou a "Guerra do Pacífico". Logo o Peru nacionalizou seu nitrato de sódio e o Chile, apoiado pela Inglaterra, também invadiu, pilhou e ocupou os portos peruanos de Tacna, Arica e Tarapacá. A guerra acabou em 1883, com a Bolívia perdendo 560 quilômetros de costa e ficando sem acesso ao Pacífico, e o Peru recuperando só o porto de Tacna.
Um século depois, dias atrás, o novo presidente da Bolívia, o índio Evo Morales, foi a Santiago discutir o reatamento das relações diplomáticas com o Chile, suspensas há muitos anos, e negociar a recuperação de um acesso ao Pacífico para a Bolívia, entre o norte do Chile e o sul do Peru. No Estádio Nacional, 10 mil chilenos aplaudiram Morales, pedindo "Mar para a Bolívia".
Morales
Essa nacionalização do petróleo e do gás boliviano, agora decretada pelo presidente da Bolívia, é um dos capítulos mais deprimentes da grande imprensa brasileira. Como sempre a serviço de alguém, tomando dinheiro de alguém, grandes televisões, revistas e jornais brasileiros passaram três meses mentindo, enganando, para agradar as empresas internacionais de petróleo e gás, inclusive a Petrobras, que exploram petróleo e gás na Bolívia.
Toda a campanha eleitoral de Morales, no ano passado, foi feita sobretudo em cima de uma promessa, um compromisso básico: nacionalizar o petróleo e o gás. Foi com essa bandeira, principalmente por causa dela, que Morales ganhou as eleições. Todo mundo ouviu isso, todo mundo sabia disso.
Mas Lula, que atingiu a auto-suficiência da arrogância e pensa que todos são como ele, cuja palavra não vale um tostão de mel coado, garantia, e a imprensa repetia, que ele não deixaria Morales cumprir o compromisso.
Nacionalização
Quando fez 3 meses de governo, no dia 22 último (eu já estava no Chile), Morales fez um balanço para a imprensa internacional e confirmou tudo:
1 - "A Bolívia já não é terra de ninguém. A Bolívia se respeita. Não se submete a interesses estrangeiros. Nosso país está recuperando a dignidade e a confiança. Já não se submete aos interesses estrangeiros, como ocorreu ao longo de nossa história colonial e republicana e nos últimos 20 anos".
2 - "Começamos a cumprir, um por um, os compromissos do programa eleitoral: convocamos a Constituinte, iniciamos o Plano Nacional de Alfabetização (ensinar um milhão de bolivianos a ler) e o Plano de Austeridade (redução de 50% nos salários do funcionalismo, inclusive o do presidente)".
3 - "Nos próximos dias (falava em 22 de abril), apresentaremos o Plano Nacional de Desenvolvimento e o Programa de Nacionalização (sic) do Petróleo e do Gás, para resolver de maneira estrutural os problemas de pobreza, dependência e subdesenvolvimento da Bolívia".
Ele avisouMais claro do que isso, impossível. Dez dias depois, Morales anunciou a nacionalização. Não enganou ninguém. O velho ranço colonialista dos países mais fortes, de nunca respeitarem a soberania dos mais fracos, imaginou que a Bolívia jamais teria coragem de "contrariar os ricos".
Na TV, o beligerante William Waak, sempre doidão por uma guerra, falava em "confisco, expropriação", e parecia querer que o Brasil invadisse a Bolívia naquela noite. No jornal, a causídica de negócios Miriam Leitão dizia que a Bolívia, "sem mais nem menos", "rasgou contratos" e "expropriou".
Nem rasgou nem expropriou. E que contratos? Não é só a Petrobras que está lá. Há mais de 20 empresas estrangeiras, de numerosos países, explorando petróleo, gás, transporte: a British Petroleum e a British Gas da Inglaterra, a Total da França, a Repsol da Espanha, a YPF da Argentina, dezenas.
Presidentes ladrões da Bolívia, que saíram quase todos de lá fugidos, venderam concessões e facilidades, doaram as riquezas do país em troca de polpudas contas em dólares no exterior. Isso era contrato? Isso era roubo.
Petrobras
Fizeram bem a Petrobras e seu competente presidente Sergio Gabrielli em reconhecerem logo que é um problema de soberania da Bolívia. O Brasil não faz a mesma coisa? O petróleo não é nosso? Por que o gás não pode ser da Bolívia? Nosso petróleo é patrimônio nacional. O que faz a Petrobras? Negocia concessões às empresas em condições fixadas pela lei brasileira.
É o que a Petrobras e as demais empresas estrangeiras na Bolívia vão fazer. Eles precisam da nossa experiência, tecnologia e investimentos. Mas também não podiam deixar que o país continuasse a casa da mãe Bolívia.
Gritam os histéricos do colonialismo: a Petrobras vai perder! Perder o quê? Entre 1996 e 2004 (nove anos), a Petrobras investiu lá US$ 1 bilhão, ou US$ 110 milhões por ano. E quanto a Petrobras já ganhou lá? O que pode acontecer é todas diminuírem a margem de lucro. O índio está certo.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Pronunciamento de Josef Stalin

Pronunciamento de Josef Stalin à nação em 9 de Maio de 1945, Dia da Vitória da União Soviética sobre a Alemanha fascista*
Camaradas! Compatriotas!
O grande dia da vitória sobre a Alemanha chegou. A Alemanha fascista, derrotada pelo Exército Vermelho e pelas Forças Aliadas, reconheceu sua derrota e anunciou sua rendição incondicional.
No dia 7 de Maio o documento preliminar da rendição foi assinado na cidade de Rheims. No dia 8 de Maio os representantes da Alemanha, na presença do Alto Comando das Forças Aliadas e do Alto Comando das Forças Armadas Soviéticas, assinaram em Berlim a ata final de rendição, que entrou em vigor a partir da meia-noite do dia 8 de Maio.
Sabendo dos hábitos sujos das autoridades alemãs, que consideram acordos como apenas um pedaço de papel, nós não temos nenhuma base para confiar em suas palavras. Mas, a partir dessa manhã, as tropas alemãs, ao preencherem a ata de rendição, começaram, em escala massiva, a entregar suas armas e suas tropas a nós. Isso não é apenas um pedaço de papel. Essa é a real rendição das Forças Armadas da Alemanha. Entretanto, um grupo de tropas alemãs na região da Checoslováquia está ainda se recusando a render-se. Mas eu espero que o Exército Vermelho os traga logo à realidade.
Agora nós podemos legitimamente anunciar que o histórico dia da derrota final da Alemanha chegou. O dia da grande vitória da nossa nação sobre o imperialismo alemão.
O grande sacrifício que nós tivemos de suportar em nome da liberdade e da independência da nossa Terra-Mãe, os incontáveis sofrimentos e perdas que nossa nação sofreu durante a guerra, o duro trabalho que tivemos, tanto no front quanto na retaguarda, nós oferecemos ao altar da vitória. Não foi em vão e foi coroada com a completa vitória sobre o inimigo. A antiga luta das nações eslovacas para sua existência e independência terminou com vitória sobre os invasores alemães e sobre a tirania alemã.
De agora em diante, acima da Europa voará a grande bandeira de liberdade das nações e paz entre as nações.
Três anos atrás, Hitler anunciou para todo o mundo que entre suas metas estava a desintegração da União Soviética, dilacerando com isso o Cáucaso, a Ucrânia, a Bielorússia, as Nações Bálticas e outras regiões. Ele disse abertamente: "Nós destruiremos a Rússia e ela nunca será capaz de se reerguer outra vez". Isso há três anos. Mas as idéias loucas de Hitler não tiveram nenhuma chance de se tornarem realidade. O progresso da guerra os destruiu completamente. De fato, a realidade está completamente contrária aos loucos sonhos de Hitler. A Alemanha está destroçada. As tropas alemãs declararam sua rendição. A União Soviética está celebrando vitória, a despeito do fato de resolutamente não querer nem dividir nem destruir a Alemanha.
Camaradas!
A Grande Guerra Patriótica terminou com nossa completa vitória. Os tempos de guerra na Europa chegaram ao fim. O tempo de desenvolvimento pacífico está começando.
Meus caros compatriotas, eu desejo a vocês tudo de melhor com a vitória!
Glória para o nosso heróico Exército Vermelho, que defendeu a independência da nossa terra-mãe e derrotou o inimigo!
Glória para a nossa grande nação, a nação triunfante!
Glória eterna aos heróis que morreram durante a guerra e deram suas vidas para a liberdade e felicidade de nossa nação!
*Texto extraído do jornal soviético Pravda, do dia 10 de Maio de 1945, traduzido do russo.
Nota: A assinatura, pelo Alto Comando nazista, da Ata de capitulação total e incondicional da Alemanha fascista foi em 9 de maio de 1945, às 00:43 hs. – Fonte: “Mariscal de la Unión Soviética, Gueorgui Zhukov, Memorias e reflexiones” – Editorial Progreso / Moscú - 1991
Este texto encontra-se em www.cecac.org.br

O Petroleo é deles- Cesar Benjamin

O petróleo é deles
César Benjamin*
Coube ao próprio presidente Lula, há pouco mais de um mês, anunciar discretamente a realização da sexta rodada de licitação de áreas petrolíferas brasileiras, marcada para o próximo dia 15 de agosto. Nas cinco primeiras rodadas, realizadas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, empresas estrangeiras arremataram, a preços simbólicos, áreas descobertas pela Petrobras, ganhando automaticamente o direito de exportar todo o óleo delas extraído.
Em 1997, na oposição, o PT votou contra a lei que permitiu isso, e ao fazê-lo usou adjetivos muito pesados contra o governo de então. Em 2004, no poder, o PT prepara-se para patrocinar um megaleilão de áreas onde a Petrobras já encontrou 6,6 bilhões de barris de petróleo de excelente qualidade, correspondentes a 50% das reservas nacionais comprovadas.
Que adjetivos merece um partido que age assim?
Nenhum motivo legítimo há para mais esta chocante mudança de posição. Ao contrário. Toda a evolução do setor petróleo, no Brasil e no mundo, aponta para a necessidade de fortalecer a Petrobras e agir com grande cautela. Os argumentos usados por Fernando Henrique para abrir o setor ao capital estrangeiro mostraram-se falsos: em vez de pesquisar novas ocorrências, as empresas privadas entraram apenas nas áreas onde a Petrobras já havia feito com sucesso a prospecção, uma atividade cara e arriscada. Compraram bilhetes premiados. É o que se repete agora, com o leilão dos chamados "blocos azuis", de grande potencial. Como estamos às vésperas da auto-suficiência na produção brasileira de petróleo - uma conquista histórica para o Brasil -, as áreas que o governo Lula entregará às multinacionais só poderão entrar em operação para exportar. Pelo menos três motivos tornam essa decisão desastrada.
A geologia brasileira é desfavorável à ocorrência de petróleo, de modo que não devemos esperar que grandes descobertas se sucedam. Nossas reservas comprovadas e prováveis, de 16 bilhões de barris, poderiam garantir um horizonte de autonomia de cerca de dezoito anos, que será dramaticamente reduzido pela política atual. Graças ao esforço e à competência das gerações passadas, o Brasil se tornará auto-suficiente em 2006, mas a política implantada por Fernando Henrique e confirmada por Lula nos reconduzirá à posição importadora em bem menos de uma década.
Isso acontece num momento em que dois processos se somam, no mundo, para sugerir justamente o caminho oposto. De um lado, o vertiginoso crescimento da China e da Índia, fortemente dependentes de importações, tem aumentado a demanda mundial e pressionado os preços para cima. Na próxima década, a China terá dobrado o seu consumo e precisará obter no exterior mais de 80% de todo o petróleo de que necessita. A dependência de abastecimento externo já é de 50% para os Estados Unidos, 60% para a Europa e 100% para o Japão, o que permite antever o potencial de conflito envolvido nessa questão.
De outro lado, hoje se sabe que as reservas mundiais foram grosseiramente superestimadas. Em todos os casos, estão sendo revistas para baixo. Durante a recente epidemia de fraudes contábeis, as mais respeitáveis multinacionais do setor apresentaram números falsos para elevar o valor de suas ações. As reservas da Shell foram infladas em 24%, as da El Paso em 33% e as da Enron em 30%. Diversos países fizeram o mesmo, inclusive grandes produtores, como os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e o México. Anunciaram a posse de jazidas entre 20% e 40% maiores do que as verdadeiras, pois as quotas de produção, definidas no âmbito da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), são proporcionais às reservas declaradas. Há muito menos petróleo disponível do que se pensava.
Com a elevação do consumo e a descoberta das fraudes, o mercado mundial mergulhou em grande incerteza. Em cerca de um ano, o preço passou de 28 dólares para 40 dólares o barril e não apresenta tendência de queda. Autores insuspeitos anunciam novos choques. O embaixador Rubens Ricupero escreveu: "A tendência a um aumento sensível e contínuo no preço do petróleo é estrutural, e não apenas fruto de manipulações de mercado. O aperto nos preços (...) pode vir em cinco anos, com mais um choque elevando o barril a 50 dólares." O economista Paul Krugman seguiu a mesma linha: "O mercado do petróleo está distendido até o limite da ruptura. (...) Na última vez que os preços atingiram os níveis atuais, pouco antes da Guerra do Golfo (1991), havia capacidade de produção excedente no mundo, de modo que havia espaço para enfrentar sérias perturbações da oferta, caso elas surgissem. Desta vez isso não se aplica. (...) Novas descobertas têm sido cada vez mais raras. (...) Os preços do petróleo estão altos e podem subir ainda mais."
Prevê-se que em 2010 atingiremos o pico da produção mundial e começaremos a ver um declínio na oferta. Alguns, mais assustados, já falam em petróleo a 100 dólares o barril no fim da próxima década. O número é especulativo, mas a tendência é certa.
Nesse contexto - com um mercado estressado, preços em alta, conflitos à vista e às vésperas de um choque anunciado -, o governo Lula decidiu retirar do controle da Petrobras e entregar a empresas multinacionais 6,6 bilhões de barris das reservas comprovadas brasileiras (repito: a metade das reservas comprovadas brasileiras). Essas empresas farão uma farra de exportações durante alguns anos. Em troca, nos darão alguns trocados que o ministro Palocci cuidará de repassar em dia aos bancos internacionais, nossos credores. Por causa dessa destinação prevista, a suspensão da licitação, segundo o ministro, "emitiria um sinal negativo para os mercados".
Que adjetivos merece um governo que age assim?
Petróleo, como se sabe, é recurso não renovável, sem o qual, com a base técnica atual, nenhuma economia funciona. Um país carente desse recurso, como o Brasil, e que necessitará, em algum momento, reencontrar o caminho do desenvolvimento precisa gerenciar com muito cuidado suas próprias reservas, inserindo-as em um planejamento estratégico de longo prazo. Perceber isso não depende de ideologia nem exige formulações sofisticadas. Basta decência.
Invertendo o lema da campanha popular que levou à criação da Petrobras, o governo Lula decretou que o petróleo é deles. Faltam-me os adjetivos.
* César Benjamin é autor de A opção brasileira (Contraponto, 1998, nona edição) e Bom combate (Contraponto, 2004). Escreve uma análise mensal de economia e política econômica na página www.outrobrasil.net.
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10 coisas que todo brasileiro deveria saber

10
COISAS
que todo brasileiro deveria saber
1
Para um País se desenvolver e criar condições para o seu povo viver bem há necessidade de: . Conhecimento (saber)
. Tecnologia (saber- fazer)
. Recursos naturais (minérios, matérias-primas)
. Energia
. Água
2 Qual a situação do mundo?
Há os países hegemônicos que possuem, e dificilmente repassam, o conhecimento e a tecnologia. Eles conseguiram acumular riquezas porque além destas tecnologias, garantiram, até pelo uso da força, a saída dos seus produtos e a venda em mercados externos, muitas vezes, por preços abusivos. Também trocam os seus manufaturados por produtos naturais dos países periféricos com os preços excessivamente desvalorizados.
3 No mundo há países que têm minérios e matérias-primas - dizem que eles são ricos, têm riquezas naturais
mas os preços destas "riquezas" estão sempre muito baixos. Por mais que trabalhem e se esforcem estão
sempre sem dinheiro (Serra Leoa é um dos países mais pobres do mundo e tem mina de diamante).
4 Vamos ilustrar os dois últimos itens!
A Inglaterra garantiu mercado para seus tecidos aqui no Brasil, com a proibição de D. Maria, a Louca, rainha de Portugal, de haver teares na colônia brasileira sob pena de deportação do proprietário para Angola. Sem o silício (mineral) do minério de quartzo não há computadores pois é com o silício que se faz sua mais importante peça: o processador eletrônico (ship). Pois o Brasil exporta o quilo do melhor quartzo do mundo a 35 centavos. Sem minério de ferro não há como fabricar aço. O Brasil exporta-o por preços decrescentes que, hoje, chegam a 8 dólares a tonelada (mil quilos). Os produtos agrícolas estão sempre, também, se desvalorizando como o café, o cacau, a soja. Tudo que os países da periferia produzem é desvalorizado. Isso mantém a pobreza.
5 O que representa vender uma tonelada de minério por preço tão baixo? Uma comparação demonstra o
absurdo das coisas. Quando um brasileiro vai visitar os Estados Unidos e gasta U$ 4.500 dólares, temos que vender mais de 500 toneladas de minério de ferro para que haja a quantidade de dólares para a viagem. Para se comprar um computador de uso pessoal temos que vender 2.500 quilos de quartzo. Hoje o problema é cada vez mais grave porque os países hegemônicos estão ocupando todos os setores que dão lucro - alimentos, telecomunicações, energia, matérias-primas e minérios, mantendo-se nos tradicionais setores de manufaturados, empobrecendo cada vez mais os outros países.
6 Com relação a Energia os países hegemônicos só têm fontes de energia baseadas em combustíveis
fósseis: carvão de pedra e petróleo. O primeiro com graves efeitos para a ecologia (efeito estufa, chuva ácida), o segundo, acabando. Observem: um litro de gasolina custa mais barato que um litro d'água. Por que será? Petróleo tem de ser barato porque assim os países produtores de petróleo permanecem pobres (ganham pouco com o petróleo), os países industrializados gastam pouco com petróleo e podem permanecer ricos.
7 O desenvolvimento tecnológico exige e exigirá mais, no Século XXI, a utilização de materiais antes
absolutamente ignorados. Você sabe qual mineral é fundamental para a fabricação de turbinas de avião? E foguetes? E os tubos que exigem alta resistência? Tudo isto se faz com Nióbio, mineral há pouco tempo desconhecido mas que o Brasil detém 98% da sua produção mundial, vendida a preço vil. E vem a questão: Qual a situação dos hegemônicos quanto aos minérios essenciais à produção industrial?
Responderemos: muito mal! Dependem quase 100% dos países da periferia. E nós brasileiros temos todos os minérios essenciais. Agora podemos entender o porquê da preocupação das empresas transnacionais, com sede nos países hegemônicos, em transformarem-se em proprietárias dos minérios. Assim poderão garantir matéria-prima barata, quase pelo custo da extração e transporte. E defendem e defenderão os direitos de propriedade mesmo que tenham sido obtidos por meios espúrios e até pela força.

8 Com infeliz respaldo da lei de patentes do "governo brasileiro", as plantas da Amazônia estão sendo
registradas a partir de estudos genéticos com o que, provavelmente, nos farão pagar, amanhã, taxas para tomar
um simples chá das nossas plantas.
9 Para a manutenção do cenário' atual do mundo com os países hegemônicos (dominantes) mantendo para si
altos padrões de vida e impondo aos países da periferia um presente e futuro de dificuldades e pobreza há cinco
estratégias: '
. Invasão cultural
. Desmoralização das Forças Armadas
. Desmantelamento do sistema sindical
. Domínio dos meios de comunicação
. A ocupação econômica.
A invasão cultural está óbvia nos letreiros das lojas, na aquisição das editoras nacionais, na conquista do
mercado de livros didáticos nacionais, na busca da destruição da unidade lingüística, única existente no mundo - a do Brasil de extensão continental com apenas o português falado em todo o território.
Uma das mais fortes e quase com certeza a principal fonte de nacionalismo aqui existente desenvolve-se nas Forças Armadas, por isto, observa-se a sistemática campanha para destacar alguns aspectos negativos na tentativa de denegrir e tirar qualquer força e liderança para que elas possam defender o País.
O sistema sindical tem sido estimulado nas questiúnculas internas e está perdido pelo jogo de ambições e intrigas da busca de fatias do poder (precisamos nos lembrar da capacidade dos europeus em desenvolver desarmonias entre grupos, pela sua atuação na África). Desagregado o sistema sindical, fica mais dificil a mobilização popular para resistir ao desmantelamento da estrutura de produção nacional.
O domínio dos meios de comunicação toma-se evidente quando apenas assuntos emocionais e superficiais são
tratados não havendo qualquer discussão dos temas de relevo para o interesse do país.
Um chute a gol dado por um jogador (de um time popular comprado por empresa estrangeira) tem todo o destaque e não há qualquer referência às conseqüências e implicações das privatizações em confronto com a vontade e a necessidade do povo brasileiro.
A ocupação econômica evidencia-se pela compra de supermercados, editoras, bancos, empresas de seguro,
transporte, engenharia. Quem domina a economia ocupa o país.
10 Não posso fazer nada! É o que quase todos dizem.
Esta' é a postura que aflora, pois há um destruição da nossa auto-estima sendo executada pelos meios de comunicação. Pois saiba que podemos fazer, e muito, no ambiente do nosso viver. Isto criará uma consciência e uma força na qual a soberania terá que se inspirar.
Desvalorizar os importados. Cada,produto importado comprado representa o desemprego de vários brasileiros. Valorize a nossa língua. Nada de letreiros, escritos, avisos e até nomes de lojas em línguas estrangeiras. Manifeste a sua indignação: mande telegramas, cartas, telefonemas para os traidores que entregam o nosso patrimônio. Ameace não votar mais nos políticos coniventes (não vote em traidor). Valorize e incentive quem defende o Brasil. Mande cartas, telegramas.
Discuta com todo mundo, amigos, conhecidos, vizinhos, parentes as barbaridades que estão fazendo:
. Entregar o sistema de comunicações todo pronto para empresas estrangeiras.
. 'Sistema elétrico já com todo o investimento realizado passando para mãos estrangeiras.
. Times de futebol e até a seleção brasileira aprisionada e sendo propriedade de empresa estrangeira.
. Preços dos minérios e produtos agrícolas aviltados (parar de vender).
. As absurdas isenções de impostos para estrangeiros e para as exportações.
. Temos que produzir primeiro para que nenhum brasileiro passe fome.
. É um absurdo Banco estrangeiro poder atuar dentro do Brasil- pegar os nossos depósitos e usar como quiser.
Nenhum país decente admite isto! Como vão usar nossa poupança? Reaja.
. Denuncie o absurdo das Prefeituras obterem financiamento em dólar para fazer calçadas, meio-fio, galerias
de águas, recapeamento de estradas. Isso não exige dólar. Faz aumentar nossa dívida. E impede reajuste para
os funcionários.
Tire cópia deste documento e distribua, ofereça aos amigos.
Temos que defender a Amazônia e o Brasil. Há séculos destroem povos da periferia com pólvora e canhão.
Hoje, procuram nos destruir com juros, traições e domínio das comunicações e dos sistemas de produção.
Se você quer conhecer melhor os problemas abordados neste folheto leia os livros: Nação do Sol preliminares, Nação do Sol Descoberta de ser brasileiro, Amazônia Império das Águas, Servos da Moeda (sobre o sistema financeiro), Brasil Civilização suicida. Você pode pedir pela caixa postal 08862 AC SHS BSB - Cep: 70312-970 - Brasília - DF. Endereço eletrônico: rui.sol@bo1.com.br - Informações: Rui Nogueira (61) 9627.7849 Brasília - DF. Livraria da UNB - Rio de Janeiro - RJ - Fone (21) 2627.3527 MV - Brasil (21) 9701.9812 - Rio Grande do Sul (51) 3226.8668

Carta de Despedida

Carta de DespedidaErnesto Che Guevara
Carta de despedida a Fidel Castro[marzo 1965] Habana «Año de la agricultura»
Fidel:
Me recuerdo en esta hora de muchas cosas, de cuando te conocí en casa de María Antonia, de cuando me propusiste venir, de toda la tensión de los preparativos. Un día pasaron preguntando a quién se debía avisar en caso de muerte y la posibilidad real del hecho nos golpeó a todos. Después supimos que era cierto, que en una revolución se triunfa o se muere (si es verdadera). Muchos compañeros quedaron a lo largo del camino hacia la victoria.
Hoy todo tiene un tono menos dramático porque somos más maduros, pero el hecho se repite. Siento que he cumplido la parte de mi deber que me ataba a la Revolución Cubana en su territorio y me despido de ti, de los compañeros, de tu pueblo que ya es mío.
Hago formal renuncia de mis cargos en la dirección del Partido, de mi puesto de Ministro, de mi grado de Comandante, de mi condición de Cubano. Nada legal me ata a Cuba, sólo lazos de otra clase que no se pueden romper como los nombramientos.
Haciendo un recuerdo de mi vida pasada creo haber trabajado con suficiente honradez y dedicación para consolidar el triunfo revolucionario. Mi única falta de alguna gravedad es no haber confiado más en tí desde los primeros momentos de la Sierra Maestra y no haber comprendido con suficiente claridad tus cualidades de conductor y de revolucionario. He vivido días magníficos y sentí a tu lado el orgullo de pertenecer a nuestro pueblo en los días luminosos y tristes de la crisis del Caribe. Pocas veces brilló más alto un estadista que en esos días, me enorgullezco también de haberte seguido sin vacilaciones, identificado con tu manera de pensar y de ver y apreciar los peligros y los principios.
Otras tierras del mundo reclaman el concurso de mis modestos esfuerzos. Yo puedo hacer lo que te está negado por tu responsabilidad al frente de Cuba y llegó la hora de separarnos.
Sépase que lo hago con una mezcla de alegría y de dolor, aquí dejo lo más puro de mis esperanzas de constructor y lo más querido entre mis seres queridos... y dejo un pueblo que me admitió como un hijo; eso lacera una parte de mi espíritu. En los nuevos campos de batalla llevaré la fe que me inculcaste, el espíritu revolucionario de mi pueblo, la sensación de cumplir con el más sagrado de los deberes: luchar contra el imperialismo donde quiera que esté, esto reconforta y cura con creces cualquier desgarradura.
Digo una vez más que libero a Cuba de cualquier responsabilidad, salvo la que emane de su ejemplo. Que si me llega la hora definitiva bajo otros cielos, mi último pensamiento será para este pueblo y especialmente para tí. Que te doy las gracias por tus enseñanzas y tu ejemplo al que trataré de ser fiel hasta las últimas consecuencias de mis actos. Que he estado identificado siempre con la política exterior de nuestra Revolución y lo sigo estando. Que en dondequiera que me pare sentiré la responsabilidad de ser revolucionario Cubano, y como tal actuaré. Que no dejo a mis hijos y mi mujer nada material y no me apena: me alegra que así sea. Que no pido nada para ellos pues el Estado les dará lo suficiente para vivir y educarse.
Tendría muchas cosas que decirte a ti y a nuestro pueblo, pero siento que son innecesarias, las palabras no pueden expresar lo que yo quisiera, y no vale la pena emborronar cuartillas.
Hasta la victoria siempre. ¡Patria o Muerte!
Te abraza con todo fervor revolucionario
Che